Encontro com o Eu

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A arrebatadora arte de Marina Abramović (68) convida mais uma vez à experimentação. A performer sérvia é o maior ícone vivo da arte moderna e está de volta ao Brasil, onde inaugura a maior mostra de sua autoria na América do Sul. A Terra Comunal vai acontecer no Sesc Pompéia em São Paulo entre os dias 10 de março e 10 de maio. Desta vez, Marina não ministra o método ao vivo, mas aparece em alguns monitores diante dos participantes para apresentar os princípios básicos do conjunto de técnicas que ela condensou em décadas de pesquisa.

 A dinâmica criada por ela exige duas horas e meia dos participantes e tem o objetivo de despertar a consciência dos espectadores e prepará-los para apreciar melhor as obras e as performances da exposição – baseada na carreira da artista.

 Em seus 40 anos de carreira, a Marina percebeu que explorar seus limites seria pesquisa para a arte que realiza hoje com o próprio corpo e a mente. Passou um ano em uma tribo aborígene na Austrália, sem nenhum dinheiro; visitou a Indonésia para entender as pessoas que andam sobre o fogo e passou 25 anos trabalhando com os monges tibetanos. A imersão na natureza, inclusive entre tribos indígenas brasileiras, levou a artista plástica a desenvolver um método onde a matéria prima principal é o silêncio.

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Durante a experiência interativa, participantes recebem fones que funcionam como isolante sonoro

Abramović ficou popularmente conhecida em 2010, quando em sua mostra “The artist is present” no Museu de Arte Moderna (MoMa) de New York foi surpreendida pelo antigo amor, Ullay (Uwe Laysiepen). A performance consistia num encontro com o espectador no meio de um espaço aberto e iluminado. Marina – sentada imóvel em um dos lados de uma pequena mesa – encarava impassível quem se sentasse do outro lado. Até que Ullay ocupou o assento oposto e provocou lágrimas na artista. O momento emocionou o mundo inteiro e o vídeo se tornou virótico nas redes sociais.

 A partir de então, o convite à reflexão íntima tem norteado o trabalho da artista que desta vez traz uma seleção de obras feitas por Jochen Volz (curador-chefe da Serpentine Galleries de Londres) e assistência de Catarina Duncan e Sidney Russell. A Terra Comunal reúne três instalações de imersão que lembram momentos decisivos da carreira da performer, dez vídeos de performances ímpares sobre a trajetória artística de Abramović e os Objetos Transitórios para Uso Humano – esculturas desenvolvidas em conjunto com as quais o público pode interagir, geralmente feitas com cristais posicionados para apontar em direção aos pontos chakras dos espectadores.

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Objetos Transitórios para Uso Humano

Outra parte do evento, intitulada Terra Comunal – MAI, traz uma coletânea das obras produzidas pelo instituto de Abramović. A programação apresenta encontros com a própria Marina, performances de oito artistas brasileiros, além de um espaço para experimentação e colaboração, com curadoria da própria Marina e das artistas Paula Garcia e Lynsey Peisinger.

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